Barreira sanitária: Paraibano retorna dos EUA e elogia ação encontrada somente no Aeroporto Castro Pinto

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Aeroporto Internacional Presidente Castro Pinto, na Região Metropolitana de João Pessoa/PB

O paraibano Vinícius Costa, que morava na cidade da Filadélfia, Estado da Pensilvânia, nos Estados Unidos da América, desembarcou, nessa terça-feira (14), no Aeroporto Internacional Presidente Castro Pinto, na Região Metropolitana de João Pessoa/PB, e se surpreendeu com a presença de barreira sanitária instalada e coordenada pelo Governo da Paraíba, por meio da Agência Estadual de Vigilância Sanitária (Agevisa/PB), com o objetivo de verificar a temperatura corporal dos passageiros, identificar possíveis casos de contaminação pelo novo coronavírus e prevenir o avanço da Covid-19 no Estado.

A surpresa, conforme Vinícius, não foi motivada pela barreira sanitária em si, mas pelo fato desta ter sido a única que ele encontrou depois de passar por vários aeroportos, desde a sua partida, nos Estados Unidos, até a sua chegada em solo paraibano, apesar de a pandemia ocasionada pelo coronavírus ameaçar a saúde e a vida das pessoas em todo o mundo.

Em entrevista, Vinícius contou que desde o final de maio tentava regressar ao Brasil, tendo seu voo sido cancelado por três vezes até conseguir sair da Filadélfia (na Pensilvânia) para a cidade de Houston (no Texas), onde há um grande número de conexões de voos internacionais. De lá seguiu para o Aeroporto de Guarulhos/São Paulo (no Brasil) e depois para Brasília (Distrito Federal), de onde embarcou no voo para João Pessoa/PB. “Em todos os aeroportos só encontrei áudios vagos sobre a Covid-19 e sobre a importância do uso de máscaras, do álcool em gel e do distanciamento social, mas nenhuma ação efetiva de controle da passagem de pessoas para prevenir a circulação do novo coronavírus”, ressaltou.

Em São Paulo, Vinícius Costa disse que passou um dia inteiro até embarcar num avião lotado rumo à Capital do País. Mesmo regressando do exterior, ele lembrou que em nenhum momento foi abordado por qualquer funcionário para aferição de temperatura ou outra atitude qualquer de prevenção ao avanço do coronavírus. Em Brasília, ficou por um período aproximado de uma hora, e, igualmente, nada lhe foi dito ou perguntado em relação à questão do coronavírus.

Ao desembarcar no Aeroporto Castro Pinto, Vinícius disse que encontrou duas moças muito bem paramentadas e educadas aferindo a temperatura corporal dos passageiros e oferecendo as informações necessárias sobre os procedimentos a serem seguidos, levando em conta a condição de saúde de cada pessoa. “Em todo esse longo trajeto que fiz, vi demonstrações de descaso com a saúde pública em aeroportos de grande movimento de pessoas, como os de São Paulo e Brasília, e somente na Paraíba encontrei segurança, atitude e preocupação com a saúde dos cidadãos e com a prevenção ao avanço desta pandemia que continua ameaçando a vida das pessoas em todo o mundo”, enfatizou.

O paraibano Vinícius Costa, que morava na cidade da Filadélfia, Estado da Pensilvânia, nos Estados Unidos da América

Sobre a motivação do seu retorno à Paraíba, Vinícius informou: “Vim embora dos Estados Unidos porque, contradizendo o presidente Trump, as autoridades de saúde preveem a chance enorme de uma nova onda do coronavírus no mês de setembro, com a chegada de temperaturas mais frias”.

Acessos controlados – O Governo da Paraíba, por meio da Agência Estadual de Vigilância Sanitária, deu início à instalação de barreiras sanitárias preventivas ao avanço da Covid-19 em 25 março de 2020. As barreiras, segundo a diretora-geral da Agevisa/PB, Jória Viana Guerreiro, têm caráter permanente e duração condicionada à Situação de Emergência decretada pelo Governo estadual.

A primeira barreira sanitária foi instalada no Aeroporto Castro Pinto, na Região Metropolitana de João Pessoa, com o apoio da Polícia Militar e do Corpo de Bombeiros, e passou a verificar a temperatura corporal dos passageiros para identificar possíveis contaminações pelo novo coronavírus.

No início de abril, a Agevisa coordenou a extensão, aos terminais rodoviários que recebem ônibus interestaduais, da barreira sanitária implantada no Aeroporto Castro Pinto. Com o apoio da Polícia Militar e do DER/PB, a ação passou a ser desenvolvida nas estações rodoviárias de João Pessoa, Guarabira, Campina Grande, Patos e Cajazeiras.

Em 09 de abril, as barreiras chegaram às divisas da Paraíba com os Estados de Pernambuco e Rio Grande do Norte, e, no dia 18 à divisa com o Ceará (em Cajazeiras, no Alto Sertão paraibano) e às regiões de Monteiro (no Cariri) e Cuité (no Curimataú), onde passaram a promover a desinfecção (com solução de detergente desinfetante) dos pneus, maçanetas e puxadores das portas de todos os veículos (ônibus, caminhões, vans, carros de passeio etc.) que adentram o território paraibano.

Além da desinfecção dos automóveis, as equipes medem a temperatura corporal dos condutores e passageiros de todos os veículos, observam se há sintomas de infecção pelo coronavírus e prestam esclarecimentos sobre o que é a Covid-19, sobre os cuidados de isolamento social e higiene que devem ser tomados para evitá-la e sobre os procedimentos que devem ser observados e seguidos nos casos de suspeita ou confirmação da infecção pelo novo coronavírus.

No mês de maio, a Agência Estadual de Vigilância Sanitária articulou e viabilizou a instalação de novas barreiras sanitárias nas rodovias PB-008 e PB-018 (no município do Conde), PB-025 (no município de Lucena), PB-034 (no limite dos municípios de Alhandra e Caaporã) e PB-044 (no limite dos municípios de Caaporã e Pitimbu), assim como no terminal hidroviário de Cabedelo. A ação se deu em cumprimento ao disposto no art. 9º do Decreto nº 40.242, de 16 de maio de 2020, assinado pelo governador João Azevêdo.

Orientação e notificação – Conforme a diretora-geral da Agevisa/PB, Jória Guerreiro, no caso de passageiros ou condutores apresentarem alguma suspeita de infecção pelo coronavírus, os profissionais da Vigilância Sanitária estão orientados a oferecer-lhes imediatamente máscara cirúrgica, a orientá-los para cumprir quarentena por 14 dias e a comunicar imediatamente o caso às vigilâncias epidemiológicas dos municípios para onde os mesmos se destinam.